Coluna: Pecaminosa





Batida Perfeita 



A tua lembrança molha a calcinha, 
É bom saber que você está na minha. 
Na tua presença a boceta chora, 
Então, pegue-me sem demora. 

A sensação de estar com você, 
É a de correr um sério perigo. 
Faço tudo pelo bel prazer, 
O deleite, adoro ser o teu abrigo. 

Sensações voluptuosas enaltecem a vida, 
Estou sempre na ativa, ponto de partida. 
O revés acontece, quando me põe de quatro, 
Sobre a tua batuta, rebolo no ato. 

Faça tudo o que desejar com o meu corpo, 
Preenchendo os buracos, sabes que topo. 
Usufrua das entradas, sem piedade, 
Desfrutando da lascívia com liberdade. 

De ponta cabeça, faço cambalhota, 
Para a entrada da luxúria, abro a porta. 
Enalteço o cacete, monumento divino, 
Com destreza, para ele me inclino. 

Embalando-me vai na batida do rock n' Roll, 
De encontro as tuas insanas primícias. 
Puxa-me sem mensura feito um anzol, 
Derretendo-me e me entregando entre carícias. 

Engulo-te com a boca anal, 
Em modo faceiro e cabal. 
Uso de doçura e maestria, 
Por longas horas, noite e dia. 

É a essência, sexual insanidade, 
Incorpora na alma, inquietude. 
Transgredindo regras, faço-me travesseiro,
Rasgue as pregas, destrua o meu traseiro!

****

Fabby Lima

Coluna: Sentimentos





Se Eu Ficar



Se eu ficar
Me prometa me beijar toda vez que for sair
E toda vez que pela porta você entrar
Se eu ficar
Me prometa dormir juntinho e acordar sorrindo
Se eu ficar
Me prometa um sonho doce da padaria pelo menos uma vez por semana 
E um dia ou outro café na cama
Me prometa sorrisos sinceros
Abraços apertados
Se eu ficar, meu amor
Me prometa que vai me seguir onde eu for e que não vai mais temer a vida
Me prometa que também fica
Se eu ficar
Me prometa me amar
Simplesmente me amar
E não deixar a maldade do mundo nos afetar
Ah, amor
Se eu ficar
Me prometa que mesmo longe vai pensar em mim
E que vai me trazer uma flor quando voltar
Só pra me lembrar
Todos os motivos que fizeram eu ficar.

****



Amor Doente



Ele dizia que me amava
Mas nunca tinha uma mensagem de bom dia
E nossas conversas se tornaram tão frias
Ele dizia que me amava
Mas eu não podia ter amigos
Nem sair pra me divertir
Ele dizia que me amava
Mas nunca tinha tempo
E não me permitia ter tempo pra mim mesma
Eu tinha que continuar amando-o, enquanto ele se afastava cada dia mais
Ele dizia que me amava
Mas me me chamou de vadia em um dia que eu saí com minha melhor amiga
Ele dizia que me amava
Mas nesse dia ele levantou a voz
Um leve aperto no braço
E um buraco enorme em meu coração
Ele pediu desculpas
Disse que foi coisa de momento
Mas com o tempo a voz alta se transformou em gritos
O aperto no braço em empurrões, tapas e até socos
Mas...
Ele dizia que me amava
E sempre pedia desculpas
Ele dizia que me amava
Eu engravidei
Ele ficou enfurecido
Disse que eu o tinha traído
Puxou meu cabelo, me levou pro banheiro 
E me surrou até não conseguir mais levantar o braço
Ele dizia que me amava
Mas foi embora
Me deixando pra morrer
Ele dizia que me amava
Nosso filho não pôde nascer, e ali eu fechei meus olhos pra sempre
Mas eu não me conformo
Porque o que ele mais dizia
Era que me amava.

****

Dianna Silva

Coluna: Fiel da Balança





Um Cadin de Mineirês 



De que nós mineiros temos um modo muito peculiar de falar, o resto do mundo sabe, atesta e passa recibo, mas é preciso ressaltar que existem expressões e palavras que só sendo mineirim para entender. À medida em que adentramos o interior das Gerais, essa diferença aumenta um “mucadinho”. O mineiro não anda em calçadas, mas toda boa mãe mineira sabe que precisa recomendar aos filhos pequenos ao saírem de casa: 

− Óia lá, hem? Cê num sai do passeio não! E óia pros dois lados antes de travessar a rua. 

Quitanda, que é para a grande maioria dos brasileiros, um estabelecimento comercial, é para nós algo que nossas avós e mães faziam, pelo menos de quinze em quinze dias, nos antigos fornos de cupim, para os lanches (tira ou quebra-jejum, merenda e ceia) da família e convidados. 
O tradicional copo paulistinha ou Nadir Figueiredo, aqui tem outro nome, como atesta nosso amigo, Velho Horácio, o Sofredor: 

− Oh sô moço, num faço questan de marca de cerveja. Se tivé gelada e no copo lagoinha, tá bão! 

Ao cumprimentar um mineiro do interior você obterá uma infinidade de respostas: “tô aqui duma banda”, “tô pelejano”, “tô penano e durano”, “bem! E vós?”, “meia pedra e meio tijolo”, “maisomeno mar mar”... Se algum mineiro lhe disser que “é ali, mês...” esteja atento, pode não ser tão ali assim, no entanto, se ele lhe disser: “é pirtim, um tirim de espingarda” prepare-se para uma boa viagem. Mas se for longe de fato, “aí” sim, é “sete cabos de machado pra baixo dusinferno”. 
Em Conceição do Mato Dentro o norte chamamos de o lado de baixo e o de cima, sul, como as chuvas normalmente vem da direção norte, da minha Tapera querida, “mode quê, chuva certa mês é a que vem de baixo. Do lado de cima, arma arma, faz baruio, mas dá só um sirinim”. 
Provavelmente o único lugar onde acontece esse raríssimo fenômeno de chover de baixo para cima.
Aqui, quando um “bebo tá amolano no buteco”, o dono do estabelecimento lhe diz logo: 

− Bebeu, cuspiu; pagou, sumiu! Té logo e tal! 

 Aliás, para se despedir de alguém que não está nos agradando seja pela companhia ruim ou quando só queremos “um dedo de prosa” e o sujeito extrapola, sobretudo no uso de palavras “feias”, a gente diz: “vai varano”, “vai dizeno, vai dizeno!”, “quebra a esquina. Digero, viu?” 
E, nessas bandas, “angu e o torresmo, o gosto é o mesmo. Quarquer cuscus tem quejo. 
Cuspiu lambeu, trabaiô recebeu”. 
E a melhor delas, o famoso “nóóóóó!” que corresponde, maisomeno o seguinte: 
“Valei-me Nossa Senhora da Aparecida! 

 Um bão ristin de semana pra nós tudo e um final de semana bão dimais da conta procês.

****

Francisco Ferreira